Poesia

De onde vem esse gotejar?


Ouço um gotejar. 
Às vezes constante, às vezes discreto.

Será que vem de algum rio, 
seguindo seu caminho,
escorrendo entre as pedras?

Será que vem das copas das árvores,
gotas preguiçosas,
que sobraram da pesada chuva? 

Ou será que são aquelas que vem de dentro?
Se dos olhos, da alma ou do coração, 
já não saberia dizer.

Uma por uma, eu as conto.
Mas já perdi a conta!

E uma por uma, elas me contam.
Ora sobre a dor (de quem magoado foi).
Ora uma tristeza (de quem para trás ficou). 
Ora uma decepção (de quem cegamente confiou).

Ou mesmo, quem sabe, me contam
uma história de amor (daquelas que um dia sonhou).

Mas às vezes, elas são só silêncio.
Apenas ouço o seu gotejar. 

Talvez tenham medo 
de se revelar.
E ainda mais medo de não encontrar 
quem as possa enxugar.

Poesia

Que haja luz!

Assim como no princípio, ouviu-se: Haja Luz,
E houve luz!

Que haja luz hoje,
Apesar da dor de ontem,
Apesar do incerto amanhã.

Que haja luz no coração,
eliminando todo desamor.

Que haja luz no caminho, 
expulsando a sombra do medo.

Que haja luz no entendimento, 
para esclarecer as muitas dúvidas.

Que haja luz no sentimento,
para reconhecer o amor verdadeiro.

Que haja luz em cada decisão, 
dando coragem para o próximo passo.

Que haja luz nas palavras, 
mesmo quando elas forem difíceis.

Que haja luz nas ações,
Mesmo quando elas forem de sacrifício. 

Que haja luz nos sonhos,
Trazendo esperança apesar das impossibilidades.

E que haja luz aqui dentro,
mesmo quando lá fora pareça que são as trevas que predominam.