Poesia

Dores ocultas

Ele sorria,
Contando história,
Empolgado,
Descontraído.

O que ninguém via
Era o poema inacabado,
O cansaço de ser,
O suspiro de esgotado.

O que ninguém via 
Era a mensagem que deixou para depois
O desejo que ficou para depois
O compromisso que adiou – outra vez.

Sua voz cada vez mais alta, 
Tentando calar o grito interno,
O pensamento acelerado,
O choro de dentro.

Sua voz cada vez mais baixa,
Palavras minguadas,
Sussurro…
Alguém consegue ouvir?

Setembro passou,
E ele seguiu
Com suas dores ocultas, disfarçadas…
Alguém o alcançará para segurar sua mão?

Poesia

Em meio às palavras

Em meio às palavras compartilhadas, um lugar de encontro, de papo à toa, de conversa profunda.

Em meio às palavras barulhentas, um lugar de história, de riso, de brincadeira.

Em meio às palavras não ditas, um lugar de silêncio, de reflexão, de olho no olho.

Em meio às palavras regadas por lágrimas, um lugar de atenção, de escuta, de abraço.

Em meio às palavras sinceras, este lugar de amor, de perdão, de recomeço.

Em meio às palavras, nós dois e tudo o que não precisamos dizer.

Poesia

Palavras

Eu sou apaixonada pelas palavras – as escritas, as faladas, as sentidas.

Descobri nelas, desde cedo, este grande poder: o de entreter e divertir, de inspirar e confrontar, de curar e confortar.

As palavras são os meus gritos de dor, mas também de fé. São minhas expressões de medo, mas também de coragem.

É por meio das palavras, que me conecto: com quem realmente sou, com o outro e com o Deus criador.

É no meio das palavras que encontro este lugar de refúgio, beleza, força, esperança.

É através das palavras que toda a vida, amor e dor que há dentro de mim tentam fluir.

E assim, tal como criança a brincar soprando um dente-de-leão, permito que as palavras – combinadas, ritmadas e às vezes, sem sentido – voem e se espalhem. Quem sabe, elas encontrem outros ouvidos, outros olhos, outros corações.