Poesia

Mãe: o amor que está sempre perto

Seja no ventre ou no coração, tudo começou ali, dentro dela – envolto em um grande mistério, rodeado de dúvidas e expectativas.
Os dias pareceram poucos para tantos preparativos e cuidados. E pareceram muitos, para aguentar tanta saudade de quem ainda nem se conhecia. E quando chegou o tão esperado momento do encontro, do olho no olho, o tempo fez sentido. Como milagre, a vida transbordou e se fundiu em outra, de forma profunda e para sempre. Como presente divino, o amor que sentiu já era imensurável e indescritível.
Ali, mesmo sem nem saber por onde começar, ela se viu pronta. Se viu desajeitada, às vezes, até apavorada, mas descobriu dentro de si paciência, persistência e a maior vontade de acertar.
Suas mãos se tornaram ágeis, seus ouvidos atentos, seu sono leve. Suas palavras se tornaram cantigas de ninar e seu colo se tornou quente, um lugar seguro para estar.
Suas preocupações dobraram, ah, como dobraram, mas suas orações a Deus nunca se tornaram tão confiantes. Seus medos aumentaram, mas nunca se provou tão forte e corajosa.
E assim, sem nem saber quando e como aconteceu, ela se viu Mãe. E ao se ver mãe, ela compreendeu a beleza do amor que carrega: um amor que sempre estará junto, pertinho de cada filho, mesmo quando não puder estar.
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Em 2020, o Dia das Mães será diferente.
Milhares de famílias não poderão se reunir fisicamente para comemorarem esse dia – mas como o amor de mãe, encontrarão formas de estarem juntas, mesmo que virtualmente.
Outras milhares de famílias estarão com o coração carregado de angústia, tristeza ou luto. Em oração, desejo consolo e conforto para cada uma.
Deus as abençoe!
Na esperança de dias melhores,
Alessandra Correa
(*texto meu publicado no Portal APROFEM)
Poesia

Mãe



É quem carrega um dom (recebido dos céus)
Quem dá seu colo (mesmo quando o filho cresce)
Quem carrega outra vida no coração (em todo o tempo)

É quem segura firme as pequenas mãos
Quem aguenta firme quando é preciso dizer não

É quem acalenta na hora do choro
Quem se diverte junto e ri até perder o fôlego

É quem tem uma vontade imensa de pintar um mundo mais colorido 
Quem tem o sonho de derrubar todos os muros (de separação, de preconceito)

É quem inventa mil histórias, ou apenas, reconta a preferida pela milésima vez
Quem passa a noite vigiando a febre, ou apenas, apreciando a tranquilidade do sono

É quem leva para molhar os pés no mar, e se pudesse, levaria também para pular nas nuvens 
Quem afasta os pesadelos, e se pudesse, afastaria todos os medos

É quem cuida das feridas, sem a pretensão de cicatrizá-las
Quem ouve as dúvidas, sem a pretensão de decidir o caminho

É quem quer livrar das dores, mas sabe permitir os tombos necessários
Quem quer estar junto, mas sabe o tempo de deixar partir

É quem cobre de beijos, cafunés, cuidados e conselhos
É quem requer juízo, verdade e respeito

É quem entende as coisas do mundo (de tudo um pouco) 
Quem sabe tudo sobre o mundo do filho (mesmo quando está escondido)

É quem briga, defende
Quem se emociona, se alegra, agradece

É quem dá bronca com razão
Quem dá abraço sem motivo
Quem dá de si, todinha, sem nada pedir em troca

É quem disfarça o cansaço, a dor, as preocupações
Quem chora baixinho, na escuridão, antes de dormir
Quem renova as forças, toda manhã (como será possível?)

É quem teme o futuro, mas não perde a esperança
Quem se decepciona, mas não recusa o perdão
Quem corrige, mesmo com o coração sangrando

É ação, reação
Razão, emoção
Uma coisa de cada vez
E às vezes, todas juntas

E mesmo quando não for, é tudo.
A base, o norte, o abrigo

Mãe
Quem ama.
Com cuidado terno.
Com amor eterno.

Poesia

A Melhor Mãe do Mundo

Quando será que uma mulher se torna mãe de verdade? Naquele momento, cheio de surpresa, em que descobre que está grávida? Ou quando ouve, pela primeira vez, as batidinhas rápidas do coração do seu filho no consultório médico? Algumas diriam que é quando seguram seu bebê indefeso ainda na sala de parto e outras diriam que é quando o sentiram no peito, se amamentando.

Eu não saberia dizer, pois ainda não realizei esse sonho, que provavelmente é carregado instintivamente no coração de cada menina.

Mas sei o que significa ter uma mãe. No meu caso, a melhor mãe do mundo. Aquela que protege, defende e ama independente do que eu faça. Que me acompanhou no 1ª dia de aula do jardim de infância, segurando firme minha mão e que estava lá do lado de fora me esperando no final da tarde.

Que foi em todas as apresentações inventadas pela “tia” e que recebeu cada lembrancinha do Dia das Mães com lágrimas nos olhos, mesmo quando tal lembrancinha estava deformada ou ainda suja de cola.

E assim tem sido desde quando eu era pequena: minha mãe sempre presente, compartilhando das minhas conquistas, dúvidas, medos e dores. Me ajudando, mimando e me orientando para a vida. Também falando bastante sobre os meus erros, preguiça, que emagreci ou que ando muito cansada. Mas tudo isso porque simplesmente se importa comigo.

Temos nossas diferenças e desacordos, mas sei que sempre será para ela que poderei correr quando o meu mundo estiver desabando. E mesmo que ela não tenha palavras para me confortar, seu abraço será suficiente e me dará a certeza do quanto estou segura, protegida e de que no fim, tudo ficará bem.

*Texto meu também publicado em Mais Viver Unimed Paulistana