Poesia

De onde vem esse gotejar?


Ouço um gotejar. 
Às vezes constante, às vezes discreto.

Será que vem de algum rio, 
seguindo seu caminho,
escorrendo entre as pedras?

Será que vem das copas das árvores,
gotas preguiçosas,
que sobraram da pesada chuva? 

Ou será que são aquelas que vem de dentro?
Se dos olhos, da alma ou do coração, 
já não saberia dizer.

Uma por uma, eu as conto.
Mas já perdi a conta!

E uma por uma, elas me contam.
Ora sobre a dor (de quem magoado foi).
Ora uma tristeza (de quem para trás ficou). 
Ora uma decepção (de quem cegamente confiou).

Ou mesmo, quem sabe, me contam
uma história de amor (daquelas que um dia sonhou).

Mas às vezes, elas são só silêncio.
Apenas ouço o seu gotejar. 

Talvez tenham medo 
de se revelar.
E ainda mais medo de não encontrar 
quem as possa enxugar.

Poesia

Outra vez acreditar


Como olhar para as estrelas
se não encontro forças para abrir a janela?

Como confiar que o sol nascerá
se a noite tão escura está?

Como perdoar a dor
se fui eu mesma quem a causou?

Como esperar pelo seu riso
se eu também me esqueci como sorrir?

Como pedir para você ficar
se o meu coração já ouviu seu adeus?

Só poderei se, outra vez, eu acreditar no amor.
Você me ajuda a acreditar?