Poesia

Confie em nosso amor…

Por que você insiste em esconder as lágrimas,
Se eu disse que as enxugaria quando elas viessem?

Por que você diz que ninguém se importa
Quando eu já provei que sofro com você?

Por que você se preocupa tanto em ficar sozinho,
Se eu prometi que sempre estaríamos juntos?

Por que você tem medo do amanhã,
Se o que temos hoje é tão verdadeiro?

Por que você se sente tão perdido,
Se quando eu te abraço é com todo o meu coração?

Porque você me poupa da sua dor,
Se eu já chorei tantas vezes com você? (e você sabe que eu choraria de novo!)

Por que seu olhar está tão sério e seu sorriso se escondeu?
Você esqueceu-se que seu sorriso é como esperança para mim?
E seu olhar é luz quando só há escuridão aqui dentro?

Mas por que você não ouve
Quando eu digo que nossa história é sim o que eu quero viver?
Que ela é melhor do que qualquer melhor sonho que eu já tenha sonhado?

Eu escolhi juntar o meu caminho ao seu e não há nada que possa mudar isso.
Acredite nas minhas palavras.
Confie em nosso amor.

Ok?

Poesia

Avó: mãe duas vezes

As mãos macias, a pele já enrugada, os cabelos grisalhos, os passos mais lentos… sinais claros do efeito do tempo. Os olhos que já não veem direito, mas sempre atentos a quem chega ou a quem está sentado no sofá, para poder então, papear um pouco.

Em suas “prosas”, algumas lendas (de extraterrestres a bruxas varrendo a casa) e muitas histórias da sua vida, das crianças que já cresceram (nossos pais) e também, das nossas (os netos “atentados”).

Nessas histórias, ela não esconde as lágrimas ao pensar num filho que está distante ou ao lembrar-se do “velho” que partiu há 20 anos.

Mesmo com saúde já debilitada, sua preocupação é voltada a nós: se comemos, se queremos um pão diferente ou uma coberta a mais. Sempre carinhosa e doce, perguntando se estamos bem ou no meu caso, se já “encontrei um amor”.

Em seus gestos, olhar e cuidado, sentimos seu amor de mãe multiplicado duas vezes. Ou até mais. Essa é minha avó, Maria Teresa.

Ter avó é mesmo maravilhoso!

É com ela que fazemos as maiores bagunças quando crianças, afinal, que mãe em sua sã consciência permitiria tirar todas as panelas do armário para virar batuque? É ela que deixa doces escondidos pela casa. Detalhe: esconderijos que já conhecemos de cor, mas que ela gosta de deixar lá só para acharmos mais rápido.

É poder esconder-se em seu quarto nas brincadeiras e quantas vezes, se esconder em seus braços para fugir da bronca dos pais ou das dores da vida. É receber mimo, afago e também, puxão de orelha. É deitar-se ao seu lado na cama só para ficar quietinha, sentindo seu cheiro, sua presença.

Desfrutar desse grande amor que as avós têm por seus netos é um privilégio! Ouça suas histórias. Penteie seus cabelos e pinte suas unhas. Ou simplesmente, abrace.

A distância não permite abraçar a minha nesse momento, mas a lembrança do último abraço aquece meu coração.

Minha querida vó, amo você!

* Texto meu também publicado em Mais Viver Unimed Paulistana