Poesia

Pai: o amor que segue comigo

Quando criança, nele eu via um super-herói.

Sem fantasia nem capa, mas pronto para qualquer aventura. Um que não voava nem se transformava, mas que tinha os poderes mais incríveis: força, riso, calmaria, criatividade, energia.

Diante de sua coragem, meu medo fugia. Podia confiar que se eu decidisse pular, seus braços fortes estariam estendidos para me segurar. E que mesmo que eu caísse, estes mesmos braços seriam rápidos e gentis para me levantar.

Então, eu cresci.

E passei a conhecê-lo como outro tipo de super-herói – um mais humano e real. Alguém que não mascara seus medos ou fraquezas. Que assume os seus erros e me desafia a olhar os meus de frente.

Alguém que me mostra que as atitudes acompanham o caráter, que as ações valem mais que palavras. E como aprendo apenas observando-o!

Alguém que não tem receio de abrir as portas da vida para eu descobrir o meu próprio caminho – e, mais uma vez, o medo vai embora, pois posso confiar que seu amor seguirá comigo.

Sei que não importa o quão crescida eu seja, ele permanecerá junto. Seu amor, cuidado, amizade e instrução me acompanharão pela vida – até mesmo quando não puder mais segurar em suas mãos.

Poesia

A conversa mais importante

O dia começa e antes que eu sinta o sol, sinto o peso de todos os compromissos que me esperam.

O dia segue nessa correria, e me acompanha a certeza de que o tempo nunca será o bastante para tudo que preciso ou quero fazer.

Então, mais um dia vai chegando ao fim. Enquanto aguardo o descanso, dou conta das poucas e apressadas palavras que trocamos ao longo do dia. Algumas delas foram até meio inconscientes, só por hábito.

Percebo, envergonhada, que já não sei quando foi a última vez que tivemos uma conversa de verdade.

Aquela conversa em que, tranquilamente, conto sobre meu dia, o que me fez sorrir, o que me entristeceu ou entristeceu a ti. Sobre as pessoas que fizeram parte desse dia, e como desejo que cuide delas.

Aquela conversa em que, sem reservas, eu falo sobre todas as coisas que estão aqui dentro: anseios, medos, preocupações, dúvidas. Sobre os sonhos, dos simples aos que insisto em chamar de impossíveis.

Como uma fonte, as palavras jorram, se atropelam, se bagunçam, mas sei que uma a uma são compreendidas. Até aquelas que não consegui dizer.

Ah, como é maravilhoso saber que a tudo isso, você ouve. Entre milhões de pessoas, no meio de tantas outras conversas, sei que nesse momento, você ouve a mim!

E então, com tanta graça e amor, responde. A voz mais doce e suave que conheço. A mais forte e poderosa que temo.

Me responde com exortações, promessas, testemunhos lidos da Sua Palavra. Às vezes, me responde trazendo à memória uma canção.

Há vezes também que parece nada responder, apenas há​ o silêncio aquecendo meu coração. Mas ainda assim, é um sussurro que fala ao mais profundo de mim, de uma forma que a voz mais alta jamais poderia.

Ah, como preciso de nossas conversas.

São nessas conversas que eu me aquieto. Que as ansiedades fogem. Que o medo desaparece. Que as preocupações se provam​ desnecessárias.

É quando eu lembro por onde já caminhamos. Pela presença nos momentos difíceis, aqueles que pensei que não suportaria. Pelas providências que tanto precisava e por muitas que nem imaginava. Pelas lágrimas enxugadas.

São nessas conversas que eu vejo um pouco mais além. Que olho para o que é eterno. Para as coisas que ainda virão. Pelas promessas que se cumprirão. Pela certeza de que haverá um tempo em que ao conversarmos, oh, Jesus, será face a face.

Ah, meu amigo. Me perdoe porque hoje eu escolhi tantas outras coisas, e não a melhor parte. Por ter procurado tantas pessoas para conversar, e não antes a Ti. Por ter demorado tanto a me sentar aos teus pés e te ouvir falar. Por ter demorado a inclinar minha cabeça em teu peito.

Ah, meu amigo Jesus, obrigada porque agora eu estou aqui. E Tu estás aqui. E esse é o momento de termos nossa conversa.

Poesia

Um aprendizado com meu pai sobre o valor do trabalho

\”Era 1000 vezes melhor quando eu estava trabalhando. 1000 vezes melhor\”.

Autor dessa frase é meu pai, 70 anos. Ele trabalhou a vida inteira, e está \”parado\” há cerca de 5 anos.

Bem, na verdade, ele está aposentado há 20 anos. Mas mesmo aposentado, ele continuou trabalhando por mais 15. Só parou mesmo quando foi dispensado pelo seu empregador.

O trabalho dele? Lavador de caminhão. Subindo. Agachando. Graxa. Cheiro de óleo. Mãos e braços sempre arranhados. Roupas remendadas.Comida esquentada. Trabalho que agravou seu problema auditivo. Suas dores na coluna.

Trabalhou debaixo de chuva, debaixo de sol. Segunda a sábado. Muitas férias vendidas.
Muitas vezes ele foi humilhado. Por clientes. Por colegas. Pelos próprios empregadores.

Mas ele plantou uma árvore no fundo do seu local de trabalho. Ela ainda está lá.
E ele tratou as pessoas bem. Fez clientes de amigos. Fez brincadeiras para colher sorrisos.
E durante todos os anos (longos) que trabalhou, nunca chegou em casa reclamando. Dizendo que estava estressado. Que não aguentava mais.

Em nenhuma manhã desses anos (longos), fez hora na cama. Fechou a cara. Saiu de casa batendo o pé.

Sabe, meu pai é um cara esperto. Criativo. Inventor. Engenheiro. Sabe das coisas. E foi nesse trabalho \”pesado\” que ele serviu as pessoas, serviu a Deus, serviu a família. Nunca nos deixou faltar nada. E isso é o que um trabalho digno faz!

E esse valor ao trabalho, ele sempre passou para mim e para os meus irmãos. Algo que buscamos levar com a gente. Mas que muitas vezes esquecemos.

Meu pai tem orgulho dos filhos. Sempre que pode, ele diz isso. Tem orgulho dos 4 filhos terem feito faculdade. De dois filhos já terem casado, terem suas casas, suas famílias. De duas filhas terem atravessado o oceano para realizar um sonho, conhecer outro país, estudar.

E como eu sempre digo: ele está muito enganado. Somos nós quem temos orgulho dele.
Hoje não é aniversário de papai (tbm conhecido como vô pithico).

É que ele me disse aquela frase (do começo do texto) ontem pela manhã. E ela ficou por aqui, recuando no meu coração, me fazendo pensar, refletir, considerar…e agradecer.

\”O que tiveres que fazer, que faça brilhar\” – pai

\”Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças\” – Provérbios 9.10


(reflexão de 11/12/2015)