É quem carrega um dom (recebido dos céus)
Quem dá seu colo (mesmo quando o filho cresce)
Quem carrega outra vida no coração (em todo o tempo)
É quem segura firme as pequenas mãos
Quem aguenta firme quando é preciso dizer não
É quem acalenta na hora do choro
Quem se diverte junto e ri até perder o fôlego
É quem tem uma vontade imensa de pintar um mundo mais colorido
Quem tem o sonho de derrubar todos os muros (de separação, de preconceito)
É quem inventa mil histórias, ou apenas, reconta a preferida pela milésima vez
Quem passa a noite vigiando a febre, ou apenas, apreciando a tranquilidade do sono
É quem leva para molhar os pés no mar, e se pudesse, levaria também para pular nas nuvens
Quem afasta os pesadelos, e se pudesse, afastaria todos os medos
É quem cuida das feridas, sem a pretensão de cicatrizá-las
Quem ouve as dúvidas, sem a pretensão de decidir o caminho
É quem quer livrar das dores, mas sabe permitir os tombos necessários
Quem quer estar junto, mas sabe o tempo de deixar partir
É quem cobre de beijos, cafunés, cuidados e conselhos
É quem requer juízo, verdade e respeito
É quem entende as coisas do mundo (de tudo um pouco)
Quem sabe tudo sobre o mundo do filho (mesmo quando está escondido)
É quem briga, defende
Quem se emociona, se alegra, agradece
É quem dá bronca com razão
Quem dá abraço sem motivo
Quem dá de si, todinha, sem nada pedir em troca
É quem disfarça o cansaço, a dor, as preocupações
Quem chora baixinho, na escuridão, antes de dormir
Quem renova as forças, toda manhã (como será possível?)
É quem teme o futuro, mas não perde a esperança
Quem se decepciona, mas não recusa o perdão
Quem corrige, mesmo com o coração sangrando
É ação, reação
Razão, emoção
Uma coisa de cada vez
E às vezes, todas juntas
E mesmo quando não for, é tudo.
A base, o norte, o abrigo
Mãe
Quem ama.
Com cuidado terno.
Com amor eterno.
Tag: Poesia
A carta que não terminei
Essa é mais uma daquelas cartas que não consegui terminar.
Confesso que tentei.
E por muitas vezes.
Mas as palavras,
Atrapalhadas,
Bagunçadas,
Insistiram em não achar o seu devido lugar.
Essa começou a ser escrita lá atrás.
Primeiro no coração, depois com as mãos.
Mas com o tempo (ah, esse vilão do tempo),
Com as circunstâncias (ah, como estamos vulneráveis),
Já não faz tanto sentido terminá-la.
E aqui está.
Inacabada.
Um rascunho difícil de ler.
Uma confusão de sentimentos.
Expostos.
Depois apagados.
Quem poderia entender?
É só um emaranhado de pensamentos
Que vieram e se foram,
Correndo, atropelando, mudando.
Passado, presente (e até o futuro inexistente)
Tudo se misturando.
O que é real, o que foi só sonho
Tudo se entrelaçando.
E aqui está.
Um papel leve.
Poderia soltá-lo ao vento, se assim quisesse.
Um papel pesado.
Poderia afundar a alma, se assim deixasse.
Essa é só mais uma daquelas cartas sem final.
Quem sabe um dia eu consiga terminá-la.
Mas se isso acontecer, será que ao seu destino chegará?
Ou será só mais uma outra carta fechada, que por aqui ficará?
Pode ser … se assim escolher
Pode ser que hoje seja um dia de frio e tempestade lá fora.
Mas ainda assim, poderá ser um dia ensolarado dentro de você.
Um dia em que, talvez, precise caminhar sobre pedras.
Mas ainda assim, poderá contemplar as flores na beira da estrada
(quem sabe, até possa colhê-las!)
Talvez hoje seja um dia de angústia pelo incerto.
Mas se acalmar o coração, poderá ser um dia de expectativa pela possibilidade.
Talvez hoje seja mais um dia de amargura.
Mas também pode ser o primeiro dia de perdão e recomeço.
Como será o seu hoje?
Um dia comum?E quem disse que o dia comum não é um dia especial?
Hoje pode ser o melhor dia da sua vida.
E amanhã também.
E depois.
E depois.
E depois…
Se assim escolher!


