Poesia

Os objetos que eu deixei levar

Levem embora os móveis antigos,
Os vasos quebrados
E aqueles quadros tão desbotados.

Também podem levar essas coisas que estão aqui no cantinho,
Ocupando espaço e acumulando poeira.
Achei que algum dia eu fosse precisar, mas me enganei.

Sim, por favor, levem embora esse caderno rascunhado,
Essas canetas sem tinta,
Esses livros de final triste.

Não, não. Me devolvam o caderno.
Há segredos meus aí.

Podem levar esse quebra-cabeça,
Os aneis que estão em cima da mesa,
E o violão que há tanto tempo eu não toco.

Mas deixem aqui o CD da caixa azul.
Nós cantávamos juntos todas essas músicas.
Deixem aqui o aquário sem peixe.
Eu o comprei numa tarde de chuva, na companhia dele.
Deixem aqui também essa blusa com frases que não fazem nenhum sentido.
Foi ele quem me deu.

Esses álbuns de fotos?
Sim, levem embora.
E rápido, antes que eu queira vê-las outra vez.

O coração de pelúcia?
Se o de verdade já foi levado,
Que diferença faz esse ficar?
Podem levar.
Não se preocupem.
Eu não vou pedi-lo de volta.

As cartas?
Sim, podem levar para longe.
Mesmo que nunca mais eu as leia,
Cada uma das palavras já estão gravadas no meu coração,
E não há ninguém que possa levá-las dali.

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