Poesia

Praça da Sé

E SE todos esses que passam, tão apressados, parassem por um momento, e percebessem que pelo caminho não há apenas pedra, mas também um céu azul, à espera, de ser admirado? 

E SE esses que mostram a mão, ansiosos por saber o futuro, entendessem que são as ações de hoje, as escolhas de cada dia, que ditam o destino?

E SE esses que expressam o talento, tocam o sax, o violino, sol do meio-dia a pino, que regem a orquestra imaginária, recebessem atenção, fossem ouvidos?

E o que aconteceria SE cada um desses, tão distraídos, tirassem os olhos do chão, e ao olharem para o lado, enxergassem no outro um irmão? E SE vissem que mão estendida nem sempre clama por pão, mas que um olhar com respeito, empatia, também alimentam o coração?

E SE todos que ali na Catedral entram, alma angustiada, preces a fazer, saíssem com ainda mais fé, para seguir a jornada, saíssem com ainda mais esperança para desfrutar a vida?

E SE todos esses que perambulam sem direção, sem rumo, encontrassem portas que nunca se fecham e abraços que sempre acolhem, mesmo quando já se faz escuro?

E Se esses pombos estivessem aqui em sinal de paz, e SE esses que posam para fotos estivessem também sorrindo por dentro, e SE esses que sentam na escadaria não tivessem mais que esperar, e SE esses meninos de garrafa na mão fossem amparados, e SE…

*Foto: arquivo pessoal – fev/2019

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