Poesia

A Vida é ..

A vida é transitória, tal como as estações. 
Ontem, risos e brinquedos espalhados pelo chão. 
Hoje, silêncio e ordem na casa.

A vida é inconstante, tal como o caminho do vento.
Num dia, força e vitalidade. 
No outro, suspiro e cansaço.

A vida é frágil. 
Tal como porcelana que esfarela ou vidro que estilhaça.
Tal como castelo de areia, levado pela onda.

A vida é breve. Muito breve. 
Nunca há tempo suficiente
Para todos os sonhos, para tantos planos.

A vida é assim. 
Mas em nossos próprios devaneios, disfarçamos. 
Procuramos na sua finitude não pensar. 
E ao nos deparar com sua brevidade, ficamos surpresos.
Chocados. Sem acreditar. 

Esse é o retrato da vida por aqui.
Mas eu não preciso me desesperar.
Pois há outra VIDA (a verdadeira), que um dia chegará.

Eterna. Gloriosa. 
Sem dor. Sem choro
Sem medo. Sem angustia. 
Sem morte. Sem despedida.

Uma vida na companhia do Eterno.
Caminhando sob o Sol da Justiça.
Bebendo da Fonte da Água da Vida.

Nova vida!
Em que verá, maravilhada, o que em acreditou.
Que realizará, o que em esperança tanto esperou.
E que desfrutará do amor, que existe desde o princípio e para sempre permanecerá. 



\”Não temas; Eu sou o primeiro e o último;  E o que vivo e fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre. Amém. E tenho as chaves da morte e do inferno\” Apocalipse 1:17-18


\”Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido.
Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor\”. 1 Coríntios 13:12-13



*Texto escrito na semana em que partiram: o ator que lutou contra a depressão, mas não teve forças para vencer; o político que quis lutar pelo país, mas não teve chance de ver se venceria; e a querida Andrea Rodrigues, que lutou bravamente contra o câncer, e venceu. Ela descansa no colo do Pai, plenamente curada. 

Poesia

As promessas que eu fiz


Prometi que não ligaria mais para aqueles que não me ligam
Que não me importaria com aqueles que não se importam
E nem procuraria por quem não quer ser encontrado.

Prometi que jogaria fora os rascunhos passados
Bilhetes rasurados e amassados,
Cheios de palavras que não fazem mais sentido 
(mas por que será que ainda os guardo?)

Prometi que respeitaria o seu lado
Que entenderia seu caminho 
E apoiaria suas decisões.

Prometi que não guardaria os pedaços, 
Que tiraria sua foto do meu quarto
E que não escreveria cartas sem destino.

Prometi que não sorriria ao ouvir seu nome,  
Que o coração não bateria acelerado ao ouvir o telefone,
E que não ouviria mais a música que conta tão bem nossa história.

Prometi que não pensaria em você
E que se pensasse, não sofreria
E que se sofresse, não choraria.
(e você sabe que eu só choro depois de ser muito forte!)

Promessas que tentei, 
Desesperadamente cumprir.
E nem preciso dizer que não consegui…

Deve ser por causa daquela que fiz há tanto tempo.
E é tão fácil cumprir: a de sempre amar você. 

Poesia

Flores aos Vivos

Houve um tempo em que para chegar ao trabalho eu passava em frente ao Cemitério da Consolação. Um cemitério de mais de 150 anos, e que, inclusive, é considerado um marco turístico de São Paulo. Por perto, assim como em tantos outros cemitérios, diversas barraquinhas vendiam flores. Faz parte de muitos rituais de despedida a entrega de flores aos mortos e por isso, é fácil entender a escolha desse ponto estratégico de vendas.

Entre tantas barraquinhas, uma delas me chamou a atenção. Nela havia uma placa dizendo: Dê flores aos vivos.

Claro que por trás dela há um interesse comercial. Mas vejo também um conselho. Por que deixar um presente tão lindo como as flores, que mostram esperança, carinho e amor, para ocasiões tão raras ou somente para despedidas?

Sabe, não vejo problema algum em levar flores a alguém querido que partiu. No entanto, inevitavelmente penso: e em vida, quantos arranjos de flores será que essa pessoa recebeu?

Meus pensamentos não se encerram por aqui. As flores são, no caso, apenas a ponta do iceberg. Em um velório, enquanto vejo as lágrimas e ouço os cochichos, fico pensando: Mas e em vida, quantas declarações de amor será que ele ouviu? Quantos pedidos de desculpa? Quantas dessas pessoas que estão aqui nesse momento ele não via há anos?

Ver uma frase tão simples me fez pensar nessas muitas coisas que deixamos para fazer depois, e quando vemos, já não há mais tempo ou sentido.

Muitas pessoas estão levando flores aos túmulos frios, escrevendo cartas que não serão lidas, dizendo o que sentem para pessoas que já partiram. E eu não quero ser uma delas.

Que a beleza das flores seja um presente em dias comuns. Que qualquer momento seja o momento certo para abrir o coração e dizer o que sentimos. E que ao nos despedir de alguém possamos ter o conforto de saber que desfrutamos da sua companhia para valer.

Olhei no relógio e o dia já se foi
E eu não disse te amo pra ninguém
Até tive chances mas deixei pra depois…
(Tempo para amar – Thiago Grulha)

*Texto meu também publicado em Mais Viver Unimed Paulistana