Poesia

A noite em que a Esperança raiou


Naquela noite,
A brisa era suave.
O cansaço era sentido em cada parte do meu corpo,
E eu lutava bravamente contra o sono.
Sim, a noite prometia ser longa.
Os demais pastores desfrutavam da companhia uns dos outros com poucas palavras.
Esse era o momento que escolhíamos para ficarmos a sós com nós mesmos.
Com os nossos pensamentos,
Perguntas,
Aflições,
Lembranças,
E esperanças.

Vez ou outra alguém quebrava o silêncio.
Às vezes, rindo sozinho,
Às vezes, contando-nos baixinho algo de que havia se lembrado.
Como quando era pequeno e já acompanhava o pai nas vigílias da noite
Ou como naquela vez que saiu campina à fora,
Em busca de uma ovelha que escapou sorrateiramente.
Ríamos juntos,
Mas logo o silêncio voltava a se fazer presente,
Deixando que as palavras gritassem apenas por dentro.

O céu, que sempre víamos estrelado,
Nessa noite se apresentava imensamente escuro.
Não conseguiria explicar, mas apesar de tamanha escuridão
Sentia paz em minha alma e coração.
E, dessa vez, não era por saber que todo o rebanho estava seguro.

Foi então que vimos grande esplendor,
No céu aparecia um anjo do Senhor.
Ah, como nos enchemos de temor!

O que será que acontecia?
Seria esse o nosso fim?
Não! Percebemos que esse era o início da nossa vida,
E logo todo o temor se foi.

Grandes novas o anjo nos anunciou
Novas de alegria, para nós e todo o povo.
Na cidade de Davi, nasceu o Salvador,
Que é Cristo, o Senhor!

O menino, envolto em panos,
Estaria deitado numa simples manjedoura.
Era Ele quem tanto esperávamos,
Quem nos traria a paz verdadeira e duradoura.

Confirmando o que o anjo se dizia,
Uma multidão dos exércitos celestiais,
Tal que não poderíamos contar,
Apareceu a cantar:

“Glória a Deus nas alturas,
Paz na terra,
Boa vontade para com os homens”

Os anjos partiram,
Deixando no céu o silêncio
E no nosso coração, uma canção que continuou.
Já não tínhamos mais perguntas
Já não nos lembrávamos das nossas aflições.
Nosso desejo era partir o quanto antes para Belém,
E ver a Glória de Deus manifestada num menino.  

Sim, essa foi a noite em que a Esperança raiou!

E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade. João 1:14


Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz. Isaías 9:6

*Desejo a todos um Feliz Natal.
Que transborde em cada coração gratidão e adoração ao Deus que se fez menino por amor.
Sim, Deus se fez carne e habitou entre nós!  Jesus, a Luz verdadeira que alumia a todo homem, é a nossa esperança! Aleluias*

(No texto, há trechos retirados do Evangelho de Lucas, cap. 2)

 Vídeo: O Primeiro Natal – A história do Natal contada por crianças

Poesia

Identidade


Enquanto sentimentos eram escondidos,
Enquanto as ações eram disfarçadas, até forçadas,
Muitas palavras bonitas eram ditas.

E assim, ele seguia.
Andando por aí, sempre atento em parecer ser.
E olha só, acabou não encontrando tempo para realmente ser quem desejava.
Sempre preocupado em causar uma boa impressão,
Nem percebeu que durante o caminho ia perdendo aqueles que um dia impressionou. 

Até que um dia, já não se reconhecia.
Olha só! Estava acreditando em suas próprias mentiras.
Percebeu que as aparências, palavras e ações enganam, mas não por muito tempo.

Foi então que decidiu se revelar.
Defeitos, os mais loucos sonhos, a timidez, os óculos.
Tudo aquilo que lhe restou, tudo aquilo que um dia foi.
Sabe, ele nem gostou muito do que viu.
Mas essa era a única forma de voltar a ser.
E quem sabe, voltar a ter aqueles que perdeu…

\”Pois tudo o que está escondido será descoberto, e tudo o que está em segredo será conhecido.\” (Marcos 4:22)


\”Mas quem pratica a verdade vem para a luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque são feitas em Deus.\” (João 3:21)