A gente pensa: só mais um dia.
E então, ele se vai.
E mais um. E outro.
E quando se vê, passou uma porção deles.
Dias que escaparam pelas mãos.
Que não foram bem vividos,
nem percebidos.
Apenas, passaram.
Quantos outros assim serão?
Amar é um risco
Por muito tempo
Achei que amar fosse seguro.
Mas descobri, agora há pouco,
Que se trata de um risco.
Risco de descobrir quem é o outro
E mesmo assim, amar ainda mais.
Risco de expor a versão real de si mesmo,
E ainda assim, não ter medo de se mostrar.
Risco de novos sonhos ter,
E de outros abandonar.
Risco de ter o coração dilacerado,
E mesmo que não queira, ao outro magoar.
E de outros abandonar.
Risco de ter o coração dilacerado,
E mesmo que não queira, ao outro magoar.
Risco de não ser pelo amor escolhido,
Apesar de tudo ter deixado para o seguir.
Risco de precisar deixar o outro ir,
Mesmo que isso faça o coração em mil pedaços se partir.
Definitivamente, amar é um risco.
Inclusive de ser feliz para valer.
Mas mesmo que assim não fosse,
Valeria o mundo inteiro esse risco correr.
\”Amar é sempre ser vulnerável. Ame qualquer coisa e certamente seu coração vai doer e talvez se partir. Se quiser ter a certeza de mantê-lo intacto, você não deve entregá-lo a ninguém, nem mesmo a um animal. Envolva o cuidadosamente em seus hobbies e pequenos luxos, evite qualquer envolvimento, guarde-o na segurança do esquife de seu egoísmo. Mas nesse esquife – seguro, sem movimento, sem ar – ele vai mudar. Ele não vai se partir – vai tornar se indestrutível, impenetrável, irredimível. A alternativa a uma tragédia ou pelo menos ao risco de uma tragédia é a condenação. O único lugar além do céu onde se pode estar perfeitamente a salvo de todos os riscos e perturbações do amor é o inferno\”. Os quatro amores, C.S. Lewis
Outono
Como se tivessem ensaiado,
Elas se soltam.
E como num baile, rodopiam.
E com delicadeza, pousam.
E se vem um novo vento, elas alçam vôo.
Vão parar em outros cantos.
Em outros pés de árvores.
Sob outros pés.
Mas para os altos galhos elas não voltarão.
E elas não choram.
Entendem que faz parte da vida partir.
Elas se confortam.
Sabem que é preciso irem,
Para que outras possam vir.


