Poesia

Pai: meu exemplo, meu orgulho

Quando eu era criança, ele me contava histórias (que me faziam chorar, rir ou passar a noite com medo).

Me levava para tomar sorvete, brincava comigo, me fazia sentir como uma princesinha. A sua princesinha.

Depois eu cresci. E ele continuou lá, contando outras histórias, me levando para outros lugares, me divertindo de outras formas.

E eu continuei sendo sua princesa. Mas agora, uma princesa com suas próprias opiniões, seus desejos, seus sonhos.

E para cada uma das minhas decisões, sua opinião e conselho fizeram parte do caminho.

Meu pai costuma dizer que tem orgulho da nossa família. Ah, mas ele não pode imaginar o quanto ele é o meu orgulho!

Quantas coisas eu aprendo com ele. E muitas dessas coisas nem foram ditas. Foram coisas que aprendi apenas observando-o. Sua vida é um exemplo de valores eternos. Valores que levarei para o resto dos meus dias e que ensinarei aos meus futuros filhos.

Com ele aprendi a ter fé no Pai da vida. Aprendi a querer e confiar na vontade de Deus, ser paciente, ser humilde, ser responsável, trabalhar pra valer, respeitar as pessoas, me importar. Ah, também foi com ele que aprendi a rimar. rsrsrs

Eu agradeço a Deus pelo meu pai. Por ele ser quem é e por ele ter me ajudado a ser quem eu sou.

Amo você, meu papai, meu exemplo, meu orgulho.

“Seja lá o que for fazer, o importante é que faça brilhar” – Um dos conselhos de meu papai.

Poesia

Clamor de um coração

Durante toda a noite eu chorei.
Chorei de dor de tanto te querer, de medo de nunca te ter.

Ah, como eu clamo por uma chance de chorar em seus ombros. Mas eu não a tenho.
Eu peço por uma chance de ser consolada pelos seus braços. Mas não sou atendida.

Por que você não está aqui comigo?
Por que você não me dá seu coração?
Por que você não ouve o meu clamor?
Respostas que eu desconheço.

E será que você não vê? Será que você não percebe?
Ou será que sou eu que tenho disfarçado tão bem a dor que me assola?

Eu clamo para que você, só mais uma vez, olhe nos meus olhos.
Veja! É por você que eu sorrio. É por você que eu choro.

Durante quantas outras noites chorarei?
Durante quantos outros dias esperarei?

Ah, como anseio por um novo dia. Como desejo pelos raios do sol.
Será que eles poderão secar minhas lágrimas? Será que poderão confortar-me?
Será que poderão trazer-te para mim?

Respostas que eu desconheço. Ou temo ouvir.

Poesia

Avó: mãe duas vezes

As mãos macias, a pele já enrugada, os cabelos grisalhos, os passos mais lentos… sinais claros do efeito do tempo. Os olhos que já não veem direito, mas sempre atentos a quem chega ou a quem está sentado no sofá, para poder então, papear um pouco.

Em suas “prosas”, algumas lendas (de extraterrestres a bruxas varrendo a casa) e muitas histórias da sua vida, das crianças que já cresceram (nossos pais) e também, das nossas (os netos “atentados”).

Nessas histórias, ela não esconde as lágrimas ao pensar num filho que está distante ou ao lembrar-se do “velho” que partiu há 20 anos.

Mesmo com saúde já debilitada, sua preocupação é voltada a nós: se comemos, se queremos um pão diferente ou uma coberta a mais. Sempre carinhosa e doce, perguntando se estamos bem ou no meu caso, se já “encontrei um amor”.

Em seus gestos, olhar e cuidado, sentimos seu amor de mãe multiplicado duas vezes. Ou até mais. Essa é minha avó, Maria Teresa.

Ter avó é mesmo maravilhoso!

É com ela que fazemos as maiores bagunças quando crianças, afinal, que mãe em sua sã consciência permitiria tirar todas as panelas do armário para virar batuque? É ela que deixa doces escondidos pela casa. Detalhe: esconderijos que já conhecemos de cor, mas que ela gosta de deixar lá só para acharmos mais rápido.

É poder esconder-se em seu quarto nas brincadeiras e quantas vezes, se esconder em seus braços para fugir da bronca dos pais ou das dores da vida. É receber mimo, afago e também, puxão de orelha. É deitar-se ao seu lado na cama só para ficar quietinha, sentindo seu cheiro, sua presença.

Desfrutar desse grande amor que as avós têm por seus netos é um privilégio! Ouça suas histórias. Penteie seus cabelos e pinte suas unhas. Ou simplesmente, abrace.

A distância não permite abraçar a minha nesse momento, mas a lembrança do último abraço aquece meu coração.

Minha querida vó, amo você!

* Texto meu também publicado em Mais Viver Unimed Paulistana