No vai e vem dos pensamentos, das perguntas que faço, daquilo que não faz sentido, dos sonhos ainda não realizados, dos planos frustrados, dos receios que se apresentam, das possibilidades que escapam, meu coração se inquieta.
E de tão confuso e agitado, quase não vejo: a saída, o futuro, a mão que se estende, a esperança que acena.
Mas é neste lugar de inquietude, que ouço Sua voz ainda mais forte a me dizer: “Descanse, Estou aqui com você”.
Num dia distraída, andando por aí, alguém gentilmente se aproximou: “Ei, tenho um presente para você”. Desconfiada, perguntei: “Mas por que para mim?”. Ele, sorriso no rosto, me respondeu: “Porque assim desejei”.
Confiante, minhas mãos estendi. E ao sentir as suas, delicadamente pousando sobre as minhas, agradeci. Seria esse o presente? Seu toque? Mas antes que eu pudesse perguntar, ele partiu.
Ainda surpresa pelo encontro, olhei para as minhas mãos e ali estava uma semente inesperada. Tão pequenininha, que poderia até passar despercebida. Tão simples, que poderia facilmente ser desprezada. Mas ao lembrar das gentis mãos que a me deram, senti que se tratava de algo especial, único. A chamei de VIDA.
Por um tempo, pensei em guardá-la. Não queria correr o risco de perdê-la. Mas seria esse o sentido de tê-la?
Decidi plantá-la. Com cuidado, escolhi um lugar onde ela pudesse crescer protegida e se sentisse acolhida, como em FAMÍLIA. Um lugar seguro onde pudesse firmar suas RAÍZES, viver seus valores.
Sem pressa, preparei o solo. Revolvi a terra, retirando as sujeiras e as pedras. Deixando espaço para que ela pudesse crescer LIVRE. Coloquei adubo, para que suas necessidades fossem supridas e ela pudesse crescer FORTE.
A VIDA estava plantada!
Não era possível ainda saber no que ela se transformaria. Mas cheia de expectativa e alegria, aguardei.
O solo fielmente reguei: com água, com palavras de carinho e de incentivo. Outras vezes, era o próprio céu que a refrescava. Mas por alguns dias, parecia que nada iria acontecer… esperar era tudo o que me restava fazer.
Foi então que, ao calar de uma noite, sussurrei para a semente: “ei, você está aqui para cumprir uma missão”. Ao amanhecer, o primeiro broto estava lá. Descobrir seu PROPÓSITO a fez despertar.
Dia a dia, timidamente ela crescia. E de mim, todo o cuidado ainda requeria. Com paciência, tirava as ervas daninhas, enganosas, que teimosamente apareciam, para que assim ela pudesse crescer VERDADEIRA, tal como foi feita.
Fazia-lhe companhia, contava como tínhamos nos encontrado. Suas folhas, verdes e leves, balançavam com a brisa. Acredito que era a forma dela me dizer que também sentia saudade daquele dia, daquele toque.
Então, ela cresceu, forte e saudável. Quem olhava para ela, reconhecia suas origens, que fora criada pelas mãos mais gentis, e sorria.
E um dia, quando achava que sua missão estava concluída, ela FLORESCEU, trazendo ainda mais beleza e alegria para quem cruzava seu caminho.
Olhei para os céus e agradeci: “Ei, obrigada pelo presente, pela semente chamada vida!”
Sem fantasia nem capa, mas pronto para qualquer aventura. Um que não voava nem se transformava, mas que tinha os poderes mais incríveis: força, riso, calmaria, criatividade, energia.
Diante de sua coragem, meu medo fugia. Podia confiar que se eu decidisse pular, seus braços fortes estariam estendidos para me segurar. E que mesmo que eu caísse, estes mesmos braços seriam rápidos e gentis para me levantar.
Então, eu cresci.
E passei a conhecê-lo como outro tipo de super-herói – um mais humano e real. Alguém que não mascara seus medos ou fraquezas. Que assume os seus erros e me desafia a olhar os meus de frente.
Alguém que me mostra que as atitudes acompanham o caráter, que as ações valem mais que palavras. E como aprendo apenas observando-o!
Alguém que não tem receio de abrir as portas da vida para eu descobrir o meu próprio caminho – e, mais uma vez, o medo vai embora, pois posso confiar que seu amor seguirá comigo.
Sei que não importa o quão crescida eu seja, ele permanecerá junto. Seu amor, cuidado, amizade e instrução me acompanharão pela vida – até mesmo quando não puder mais segurar em suas mãos.