Poesia

De onde vem esse gotejar?


Ouço um gotejar. 
Às vezes constante, às vezes discreto.

Será que vem de algum rio, 
seguindo seu caminho,
escorrendo entre as pedras?

Será que vem das copas das árvores,
gotas preguiçosas,
que sobraram da pesada chuva? 

Ou será que são aquelas que vem de dentro?
Se dos olhos, da alma ou do coração, 
já não saberia dizer.

Uma por uma, eu as conto.
Mas já perdi a conta!

E uma por uma, elas me contam.
Ora sobre a dor (de quem magoado foi).
Ora uma tristeza (de quem para trás ficou). 
Ora uma decepção (de quem cegamente confiou).

Ou mesmo, quem sabe, me contam
uma história de amor (daquelas que um dia sonhou).

Mas às vezes, elas são só silêncio.
Apenas ouço o seu gotejar. 

Talvez tenham medo 
de se revelar.
E ainda mais medo de não encontrar 
quem as possa enxugar.

Poesia

Chuva… lá vem ela

Lá vem ela,
Com toda força,
Cheia de vontade,
Sem prestar contas a ninguém.

Lá está ela,
Lavando telhados e calçadas,
Regando a terra,
Banhando flores.

Aqui está ela,
Sendo música batendo em minha janela,
Tal como uma cantiga de ninar
a embalar meus sonhos.

Ah, lá se vai ela!
Refrescou minha noite,
Mas será que poderia também ter refrescado minha alma?
Levou embora a sujeira,
Mas será que poderia também ter levado meus temores?

Quem sabe da próxima vez que nos encontrarmos…