Poesia

Não me acostumo…

Não me acostumo com o metrô lotado, com a grosseria de desconhecidos e com a pressa para que a vida passe.

Não me acostumo com as mães que berram com seus pequenos, com os filhos que desprezam o amor recebido e com os irmãos que brigam entre si pela parte na herança.

Não me acostumo com risadas provocadas por piadas racistas, com brincadeiras que ofendem e com as palavras irônicas.

Também não me acostumo com os sorrisos forçados, com os elogios interesseiros e com as máscaras de gentileza.

Não me acostumo com o lixo no chão, com os jornais sensacionalistas e com as cartas de amor rasgadas pela fúria.

Pior ainda é me acostumar com as lágrimas de saudade, com o coração apertado pela lembrança e com a sensação de que poderia ter sido diferente.

E, definitivamente, não me acostumo com o adeus, mesmo quando provisório, e menos ainda com as separações em que não houve tempo para a despedida.

Poesia

Um futuro que não chegou

Sonhos desfeitos, um futuro que não chegou…

Conhecer o mundo, ter independência
Quebrar a cara e aprender com os erros
Saber lidar com as situações bizarras do mundo adulto

O primeiro amor, o primeiro emprego, o primeiro carro,
Um diploma, uma profissão, quem sabe um médico, um cientista, um artista

Partiram sem entender o que estava acontecendo
Sem acreditar que o mundo real pode ser mais cruel que a ficção
Deixando para trás saudades, tristeza, revolta.

No ar, junto ao cheiro de inocência, ficou o cheiro do desespero, da desilusão…

12 sorrisos para sempre apagados…
Tantos outros que serão tristes por longo tempo

12 vidas tiradas…
Tantas outras que ficarão marcadas, feridas com cicatrizes que o tempo terá dificuldades para curar

As lembranças são incontáveis, eternizadas no coração daqueles que ficaram
Verdadeiros guerreiros que, consolados por Deus, encontrarão forças para seguir em frente…

Poesia

Respostas dentro de mim

Tempestade que ameaça cair, assustando, desfazendo planos…
O que posso fazer se não confiar?

Decepções que partem o coração, frustram as expectativas…
Conheço  outro caminho que não seja o do perdão?

Desilusões que procuram matar a esperança restante…
Mas como poderia eu deixar de sonhar, se são os sonhos que me fazem acordar para a vida?


Sentimentos que insisto em ignorar…
Para quê o esforço, se lá no fundo eles se tornam cada vez mais fortes?

Muros que se levantam, tentando manter distância daquilo que me é querido…
Mas há como me afastar do que está preso no meu coração e nas lembranças?

Perguntas que faço a mim mesma há muito tempo.
As respostas? Todas dentro de mim e sempre iguais…