Poesia

Avó: mãe duas vezes

As mãos macias, a pele já enrugada, os cabelos grisalhos, os passos mais lentos… sinais claros do efeito do tempo. Os olhos que já não veem direito, mas sempre atentos a quem chega ou a quem está sentado no sofá, para poder então, papear um pouco.

Em suas “prosas”, algumas lendas (de extraterrestres a bruxas varrendo a casa) e muitas histórias da sua vida, das crianças que já cresceram (nossos pais) e também, das nossas (os netos “atentados”).

Nessas histórias, ela não esconde as lágrimas ao pensar num filho que está distante ou ao lembrar-se do “velho” que partiu há 20 anos.

Mesmo com saúde já debilitada, sua preocupação é voltada a nós: se comemos, se queremos um pão diferente ou uma coberta a mais. Sempre carinhosa e doce, perguntando se estamos bem ou no meu caso, se já “encontrei um amor”.

Em seus gestos, olhar e cuidado, sentimos seu amor de mãe multiplicado duas vezes. Ou até mais. Essa é minha avó, Maria Teresa.

Ter avó é mesmo maravilhoso!

É com ela que fazemos as maiores bagunças quando crianças, afinal, que mãe em sua sã consciência permitiria tirar todas as panelas do armário para virar batuque? É ela que deixa doces escondidos pela casa. Detalhe: esconderijos que já conhecemos de cor, mas que ela gosta de deixar lá só para acharmos mais rápido.

É poder esconder-se em seu quarto nas brincadeiras e quantas vezes, se esconder em seus braços para fugir da bronca dos pais ou das dores da vida. É receber mimo, afago e também, puxão de orelha. É deitar-se ao seu lado na cama só para ficar quietinha, sentindo seu cheiro, sua presença.

Desfrutar desse grande amor que as avós têm por seus netos é um privilégio! Ouça suas histórias. Penteie seus cabelos e pinte suas unhas. Ou simplesmente, abrace.

A distância não permite abraçar a minha nesse momento, mas a lembrança do último abraço aquece meu coração.

Minha querida vó, amo você!

* Texto meu também publicado em Mais Viver Unimed Paulistana

Poesia

Compromisso

Recentemente li o livro Para Sempre (Kim Carpenter, Editora Novo Conceito) e fiquei maravilhada com a história, baseada em fatos reais.

O livro conta sobre um amor que resultou em casamento. Até aí, nada de mais. No entanto, uma fatalidade muda tudo, desfazendo planos e sonhos para o jovem casal, pois um grave acidente faz com que a esposa perca a memória, inclusive, fazendo com que se esqueça de que um dia se apaixonou e se casou.

Então, começa o drama para o “mocinho”. Apesar de toda a dor de ser desprezado, ele decide reconquistá-la, lutando assim pelo seu casamento.

E ao ouvir essa história, alguns diriam: isso é amor. E eu completaria: isso é amor e compromisso.

Pois muitas vezes o nosso desejo é desistir e talvez a forma mais fácil de lidar com o problema seja isso mesmo. Mas se nos lembrarmos do compromisso que fizemos um dia, teremos a oportunidade de renovar as forças e seguir em frente.

E não falo só do compromisso de casamento não. Afinal, nossa vida é cheia de compromissos que fazemos com Deus, com os outros e com nós mesmos.

Tem a ligação que você se compromete em dar, mas acaba deixando para lá. Ou o compromisso que faz com seu marido de poupar dinheiro para a compra da casa própria, mas quando vê, já não faz mais tanta força assim para guardar. Compromisso de se alimentar melhor, de fazer mais exercícios físicos, de ser pontual e de cuidar dos seus valores.

Fazendo um balanço da minha vida, posso citar de cor os compromissos que fiz ao longo dos últimos anos, mas que não honrei. Mas, em vez de me conformar, resolvi renovar tais compromissos. E me empenhar para cumpri-los. Isso fará bem para mim e para aqueles que acreditaram em mim.

Bem, pesquisando por aqui, descobri que a palavra “compromisso” deriva da palavra “promessa”. E talvez se olharmos dessa forma, conseguiremos levar mais a sério as nossas palavras e decisões. As que dizemos para os outros (independente de testemunhas ou não) e as que dizemos para nós mesmos.

*Texto meu também publicado em Mais Viver Unimed Paulistana
Poesia

A Melhor Mãe do Mundo

Quando será que uma mulher se torna mãe de verdade? Naquele momento, cheio de surpresa, em que descobre que está grávida? Ou quando ouve, pela primeira vez, as batidinhas rápidas do coração do seu filho no consultório médico? Algumas diriam que é quando seguram seu bebê indefeso ainda na sala de parto e outras diriam que é quando o sentiram no peito, se amamentando.

Eu não saberia dizer, pois ainda não realizei esse sonho, que provavelmente é carregado instintivamente no coração de cada menina.

Mas sei o que significa ter uma mãe. No meu caso, a melhor mãe do mundo. Aquela que protege, defende e ama independente do que eu faça. Que me acompanhou no 1ª dia de aula do jardim de infância, segurando firme minha mão e que estava lá do lado de fora me esperando no final da tarde.

Que foi em todas as apresentações inventadas pela “tia” e que recebeu cada lembrancinha do Dia das Mães com lágrimas nos olhos, mesmo quando tal lembrancinha estava deformada ou ainda suja de cola.

E assim tem sido desde quando eu era pequena: minha mãe sempre presente, compartilhando das minhas conquistas, dúvidas, medos e dores. Me ajudando, mimando e me orientando para a vida. Também falando bastante sobre os meus erros, preguiça, que emagreci ou que ando muito cansada. Mas tudo isso porque simplesmente se importa comigo.

Temos nossas diferenças e desacordos, mas sei que sempre será para ela que poderei correr quando o meu mundo estiver desabando. E mesmo que ela não tenha palavras para me confortar, seu abraço será suficiente e me dará a certeza do quanto estou segura, protegida e de que no fim, tudo ficará bem.

*Texto meu também publicado em Mais Viver Unimed Paulistana