Poesia

Levante os olhos

Céu, Três Pontas/MG



Quando os dias forem pesados, levante os olhos e se divirta com as nuvens brincando sob o sol radiante.

Quando pensar em desistir, olhe para o céu decorado e veja as estrelas que há milhões de anos insistem em fazer sua luz brilhar.

Quando a vida trouxer desespero, olhe para o céu que se fechou para uma tempestade e aguarde. Percebe quão temerosa ela foi, mas quão rapidamente se desfez para que o sol voltasse a iluminar?

Quando se sentir sem rumo, levante os olhos e contemple o infinito. Não é assim também a vida, trazendo infinitas possibilidades?

Quando sentir medo diante das mudanças, olhe para o céu e observe a lua. Não há beleza em cada uma de suas fases?

Quando sentir saudade, olhe para o céu e lembre-se que é o mesmo que cobre a pessoa amada. Essa lembrança não lhe faz sentir o quão perto estão?

Quando a noite parecer tão longa e negra, assista ao nascer do sol e sinta o coração se acalmar.

Quando a alma radiar de alegria, e amor, e beleza, olhe para o céu e agradeça.
Olhe para esse manto que se estende sobre os apressados, amargurados e apaixonados.
Que se estende sobre os que sonham, os que acordam e os que se esquecem.
Que se estende por todos, criado por Ele para todos.

E quando o fim chegar, mais uma vez, levante os olhos.
Poderá ver o céu se abrindo e quem vem te encontrar?

Poesia

Alguns Degraus

Se eu sento, é só para poder ver e agradecer pelo que já foi realizado.
Mas logo me levanto, porque ainda há muitos degraus pela frente.

Pode até demorar. E ser bem difícil.
Mas sei que é possível.
Sei disso porque tenho a companhia dEle.


Não importa se é descansando, voltando algum degrau, ou subindo, Ele está comigo.
E o melhor: é Ele quem estará lá quando eu chegar. E desde já, posso vê-lo sorrir ao nos encontrar.

Poesia

Às Seis da Tarde

Às seis da tarde,
Tem luz acesa pela casa,
Tem portão esquecido aberto,
Tem música alta pra todo mundo ouvir,
Tem neto pulando no sofá,
Tem vô tentando o jornal assistir,
Tem mãe da cozinha a gritar:
– A comida está na mesa. Vem logo porque vai esfriar,
Tem filho respondendo:
– Calma que já vou. Estou quase acabando de me arrumar,
Tem a mãe de novo, agora a suspirar:
– É só comer. Eu que tive todo o trabalho de preparar,
E tem vizinha na porta chamando:
– Dá licença que estou entrando,
Tem um pouco de farinha pra emprestar?