Poesia

Outra chance!

Confiança e Decepção. Não deveriam, mas quantas vezes essas duas palavras andam juntas.

Eu mesmo já confiei em pessoas que sequer me fizeram imaginar que poderiam decepcionar, mas que no fim, foi exatamente o que fizeram. Porque quiseram ou porque simplesmente não tiveram como evitar. Algumas pediram perdão e outras deram um sorriso sem graça, como se estivessem dizendo: “ops, deixa pra lá, isso acontece!”.

Também já confiei em situações que aparentavam serem perfeitas ou inabaláveis, mas que no fim, causaram apenas frustração e mágoa.

Em todas essas vezes que me decepcionei, a minha vontade foi fechar o coração e não voltar a confiar em mais ninguém. Mas com o tempo, percebi que essa não seria a melhor atitude e nem a mais sábia.

Eu também já decepcionei e causei dor. Mas me arrependi e tive outra chance. Então, por que ser tão dura com as pessoas que quero bem? Por que ser tão dura com a vida?

Ficar com um pezinho atrás é prudente, mas tenho aprendido que não posso construir muros. Então, apesar de todo o medo e risco, me permito confiar nas pessoas, pois como costumo dizer, a vida sempre tem pessoas e situações surpreendentes para nos apresentar!

E sempre que a decepção se fizer presente e a dúvida for “ficar ou fugir para longe”, que eu possa decidir a aprender a viver de novo. E a amar de novo!

*Post meu também publicado em Mais Viver Unimed Paulistana

Poesia

Em seu lugar

Gostaria de estar ali, em seu lugar,
Mesmo que apenas por um pouco de tempo.
Só assim, eu conseguiria entender, por completo, essa sua dor,
E quando você chorasse, eu saberia as palavras certas a dizer.

Se eu pudesse estar ali, no seu lugar,
Compreenderia suas angustias e dúvidas,
Viveria o seu lado da história,
E veria as cores que, desse lado, eu não consigo ver.

Mas eu não posso estar no seu lugar.
Descobri que há também uma história escrita para mim,
E só eu poderei vivê-la, desse lado de cá. 

Mas ainda assim, mesmo que pareça tão pouco,
Eu quero compartilhar da sua dor,
Ouvir suas angústias,
Arriscar palavras de conforto,
E, com todo o meu amor, estar ao seu lado.

Pois quis o Autor da História, 
Mesmo nos dando enredos diferentes,
Colocar o meu lugar próximo ao seu, 
E eu não pediria para estar em nenhum outro lugar. 

Poesia

Os objetos que eu deixei levar

Levem embora os móveis antigos,
Os vasos quebrados
E aqueles quadros tão desbotados.

Também podem levar essas coisas que estão aqui no cantinho,
Ocupando espaço e acumulando poeira.
Achei que algum dia eu fosse precisar, mas me enganei.

Sim, por favor, levem embora esse caderno rascunhado,
Essas canetas sem tinta,
Esses livros de final triste.

Não, não. Me devolvam o caderno.
Há segredos meus aí.

Podem levar esse quebra-cabeça,
Os aneis que estão em cima da mesa,
E o violão que há tanto tempo eu não toco.

Mas deixem aqui o CD da caixa azul.
Nós cantávamos juntos todas essas músicas.
Deixem aqui o aquário sem peixe.
Eu o comprei numa tarde de chuva, na companhia dele.
Deixem aqui também essa blusa com frases que não fazem nenhum sentido.
Foi ele quem me deu.

Esses álbuns de fotos?
Sim, levem embora.
E rápido, antes que eu queira vê-las outra vez.

O coração de pelúcia?
Se o de verdade já foi levado,
Que diferença faz esse ficar?
Podem levar.
Não se preocupem.
Eu não vou pedi-lo de volta.

As cartas?
Sim, podem levar para longe.
Mesmo que nunca mais eu as leia,
Cada uma das palavras já estão gravadas no meu coração,
E não há ninguém que possa levá-las dali.