Poesia

Não me acostumo…

Não me acostumo com o metrô lotado, com a grosseria de desconhecidos e com a pressa para que a vida passe.

Não me acostumo com as mães que berram com seus pequenos, com os filhos que desprezam o amor recebido e com os irmãos que brigam entre si pela parte na herança.

Não me acostumo com risadas provocadas por piadas racistas, com brincadeiras que ofendem e com as palavras irônicas.

Também não me acostumo com os sorrisos forçados, com os elogios interesseiros e com as máscaras de gentileza.

Não me acostumo com o lixo no chão, com os jornais sensacionalistas e com as cartas de amor rasgadas pela fúria.

Pior ainda é me acostumar com as lágrimas de saudade, com o coração apertado pela lembrança e com a sensação de que poderia ter sido diferente.

E, definitivamente, não me acostumo com o adeus, mesmo quando provisório, e menos ainda com as separações em que não houve tempo para a despedida.

Poesia

Escolhas

Escolhas, sempre escolhas.

Quando ouço um pedido, a escolha é minha: atender ou ignorar.
Ao falar, a escolha também é minha: abençoar ou ofender.
Num dia difícil, novas escolhas: crescer ou reclamar.
Num dia triste, outras escolhas: chorar ou rebelar-se.

Posso escolher a vida ou a morte. E se opto pela vida, a escolha é passar por ela ou desfrutá-la.
Posso escolher o perdão ou a mágoa. E se opto pelo perdão, a escolha é seguir em frente ou seguir junto.
Posso escolher o desafio ou a zona de conforto. E se opto pelo desafio, a escolha é enfrentá-lo com medo ou com ousadia.
Posso escolher a fé ou a dúvida. E se opto pela fé, a escolha é fé em mim mesma ou fé em Deus.

Escolhas, sempre escolhas e a todo o momento.

O que vestir, o que comer, a que filme assistir.
Como usar meus talentos, qual caminho seguir, com quem compartilhar a vida, qual marca deixar no mundo.
Viver de lembranças, de planos ou, simplesmente, um dia de cada vez.

Tenho liberdade para escolher, mas sou presa as consequências de cada escolha.
E pior do que fazer uma escolha errada é andar na indecisão…

Poesia

O que tem valor?

O que realmente tem valor?
Aquilo que vem acompanhado de números?
Aquilo que posso tocar, exibir?

Quem inventou que as coisas valem mais do que as pessoas?
E por que aceitamos essa invenção?
Haverá tempo para entender que isso levará à destruição?

Tenho aprendido que ser é mais do que ter,
Amar vale mais que querer, ações mais que palavras
E a alma muito mais que o corpo.

Tenho percebido que alguns momentos valem pela vida inteira
Contemplar o por do sol, gargalhar com os amigos, ouvir velhas histórias
Ver num sorriso desconhecido amizade, Silenciar diante do majestoso

Momentos que valem tanto, mesmo sem ter preço
Que perduram, apesar do instante e que, simplesmente, fazem a vida valer por si mesma.