Poesia

Os momentos que eu registrei

Fotografias nas mãos.
Algumas nítidas, outras já desbotadas pelo tempo.
Em todas, lembranças.

Olha aqui! Todos rindo, espalhados, bagunçados, distraídos.
Olha essa! Todos em seus devidos lugares, pose forçada
(quem sabe, a melhor que puderam fazer!).

Uma por uma, eu as passo entre os dedos.
Com carinho.
Com cuidado.

Às vezes, sem nem perceber, lágrimas caem, em profunda saudade.
Outras vezes, sem nem perceber, ouço minha risada alta.

E num piscar de olhos,
Me vejo em outro tempo.
Em outro lugar.
Em boa companhia.

Volto à decoração antiga da casa
E ao quintal de terra que não existe mais.
Volto aos lugares que tanto gostei de conhecer,
E aos lugares que foram meu refúgio por um tempo.

Volto no tempo!
Me vejo novamente criança, com uniforme da escola
Ou com um vestidinho branco, rodado, cheio de laços.
Volto a ver meus irmãos adolescentes, com cara de tédio.
Volto a ver minha irmã bebê, chorando de cólica, no colo da minha mãe
(ou será que ela está chorando por que eu a derrubei sem querer?)

Vejo a turma de amigos, todos bem juntos,
Numa época que era tão fácil ser feliz e sonhar.

Vejo a professora que eu admirava e que uma vez me fez sentar no fundo da sala,
Vejo o canto do pátio onde eu sentava, muitas vezes esperando a vida começar.

Vejo minha gatinha Sophia deitada na escada,
A cachorra Pureza pulando no sofá,
O miquinho no ombro do meu irmão.

Vejo a vó na porta de casa, lá em Minas.
Um monte de primos sonolentos, mas bagunçando, em festa de natal.
E vejo pessoas queridas que já se foram
(ai que vontade de abraçar quem está nessa foto!).

Com o coração aquecido,
Quanta coisa revivi!
Olhei nos olhos de quem hoje está distante.
Ouvi a canção Aquarela,
Senti areia sob os pés,
Me acalmei no rio,
Suspirei por causa do primeiro amor.

Fotografias têm mesmo esse efeito.
Permite que eu segure em minhas mãos
Momentos que já estavam registrados na memória,
Guardados no coração.

Ah, como eu amo ver fotografias!
Seja dos momentos únicos, tão especiais, marcantes.
O aniversário, a viagem,
A formatura, o casamento,
O bebê que chegou.

Mas, e as fotos daqueles momentos tão corriqueiros
Mãe fazendo o almoço, pai cuidando da horta?
Quero fotografá-los também,
Pois lá no fundo eu sei,
Que esses serão os momentos que mais sentirei falta.
E só então, perceberei como eram também momentos únicos, especiais e marcantes,
Dignos de muitas fotografias.

E enfim, como um segredo, guardo minhas fotografias,
Com o desejo de encontrar novas paisagens, ângulos e
Momentos que eu possa segurar com todas as minhas forças…

*Texto adaptado de outro texto meu, publicado em Mais Viver Unimed Paulistana

Poesia

Alegrias Esquecidas

Tantas coisas que adorava fazer,
Mas há tanto tempo que não faz.

Às vezes,
Diz que é culpa do tal tempo que não para.
Outras vezes,
Diz que a culpa é sua por não saber parar o tempo.
 
Com o tempo,
Não sabe mais da emoção
Que era pular corda,
Brincar na chuva,
Ou pega ladrão.


Com o tempo,
Nem se lembra mais do prazer que sentia
Ao escrever versos cheios de amor,
Ver desenhos nas nuvens,
Ou compor uma melodia.


Com o tempo,
Também esqueceu-se do encanto
De contar estrelas,
De contar histórias,
De contar figurinhas.

Com o tempo,
Já não sabe mais como é bom o mistério
De andar sem rumo,
Esconder-se sem pressa de ser achado,
Ou sentar-se tranquilo à espera do encontro.

Quantas coisas que adorava fazer,
Mas há muito tempo não faz.
Alegrias que deixou para trás
Em busca de algo que é incapaz
De fazer seu coração aquecer…

*Post inspirado nesse outro texto meu.

Poesia

Por uma vida mais leve!

“Viva a vida mais leve, Não deixe que ela escorregue, Saiba do seu valor…” (Camarada D’água – O Teatro Mágico)


Essa é uma das muitas lindas frases do O Teatro Mágico.

Sempre que a ouço, penso em como faz bem (para mim e para quem convive comigo) uma vida mais leve.

Viver a vida mais leve é entender que ela é finita.
E que não sabemos o tempo que ainda temos.
Que é importante valorizar as coisas simples da vida,
Estar com os amigos e perdoar.
É entender que por mais difícil que seja uma situação, ela vai passar.
Que complicar o que é simples e sofrer pelas pequenas coisas é uma forma de deixar a vida escapar por entre os dedos. E quem poderá restituir toda vida que se foi?

Tenho aprendido que ninguém está imune aos momentos de dificuldade, dor, solidão, tristeza.

Mas também tenho aprendido que lidar com cada um desses momentos com fé, esperança e paciência, faz a vida ter mais graça e leveza.

Antes de fazer tempestade em copo de água, tenho procurado ver a situação com os pés no chão e a gravidade necessária.

Tenho tentado não entrar em desespero por qualquer coisa como, por exemplo, quando não lembro onde coloquei as chaves ou porque alguém se atrasou para um compromisso.


Tenho tentado me livrar da angústia quando o dia não foi como eu esperava ou porque aquela viagem não aconteceu.


Tenho tentado não sofrer por antecipação e nem viver de preocupação.

Ainda tenho um longo caminho pela frente. Mas sei que é possível.

Que eu possa olhar cada dificuldade como uma oportunidade para crescer.
Cada erro, como oportunidade de aprendizado. 
Que eu possa fazer de cada momento um grande acontecimento.

Afinal, a vida pode ser sim incrivelmente bela. E leve!

Ah, e acabo de ler um livro que trata desse assunto muito bem. Super recomendo: A arte de ser leve, por Leila Ferreira.

🙂

E fica também a boa música para vocês:


*Esse texto foi adaptado de um outro texto meu, publicado em Mais Viver Unimed Paulistana.