Poesia

Amar é um risco

Por muito tempo
Achei que amar fosse seguro.
Mas descobri, agora há pouco,
Que se trata de um risco.
Risco de descobrir quem é o outro
E mesmo assim, amar ainda mais.
Risco de expor a versão real de si mesmo,
E ainda assim, não ter medo de se mostrar.
Risco de novos sonhos ter,
E de outros abandonar.
Risco de ter o coração dilacerado,
E mesmo que não queira, ao outro magoar.

Risco de não  ser pelo amor escolhido,
Apesar de tudo ter deixado para o seguir.
Risco de precisar deixar o outro ir, 
Mesmo que isso faça o coração em mil pedaços se partir.
Definitivamente, amar é um risco.
Inclusive de ser feliz para valer.
Mas mesmo que assim não fosse,
Valeria o mundo inteiro esse risco correr.
\”Amar é sempre ser vulnerável. Ame qualquer coisa e certamente seu coração vai doer e talvez se partir. Se quiser ter a certeza de mantê-lo intacto, você não deve entregá-lo a ninguém, nem mesmo a um animal. Envolva o cuidadosamente em seus hobbies e pequenos luxos, evite qualquer envolvimento, guarde-o na segurança do esquife de seu egoísmo. Mas nesse esquife – seguro, sem movimento, sem ar – ele vai mudar. Ele não vai se partir – vai tornar se indestrutível, impenetrável, irredimível. A alternativa a uma tragédia ou pelo menos ao risco de uma tragédia é a condenação. O único lugar além do céu onde se pode estar perfeitamente a salvo de todos os riscos e perturbações do amor é o inferno\”.  Os quatro amores, C.S. Lewis

Poesia

Outono


Como se tivessem ensaiado,
Elas se soltam.
E como num baile, rodopiam.
E com delicadeza, pousam.

E se vem um novo vento, elas alçam vôo. 
Vão parar em outros cantos.
Em outros pés de árvores.
Sob outros pés.

Mas para os altos galhos elas não voltarão. 
E elas não choram.
Entendem que faz parte da vida partir.

Elas se confortam.
Sabem que é preciso irem, 
Para que outras possam vir.

Poesia

Levante os olhos

Céu, Três Pontas/MG



Quando os dias forem pesados, levante os olhos e se divirta com as nuvens brincando sob o sol radiante.

Quando pensar em desistir, olhe para o céu decorado e veja as estrelas que há milhões de anos insistem em fazer sua luz brilhar.

Quando a vida trouxer desespero, olhe para o céu que se fechou para uma tempestade e aguarde. Percebe quão temerosa ela foi, mas quão rapidamente se desfez para que o sol voltasse a iluminar?

Quando se sentir sem rumo, levante os olhos e contemple o infinito. Não é assim também a vida, trazendo infinitas possibilidades?

Quando sentir medo diante das mudanças, olhe para o céu e observe a lua. Não há beleza em cada uma de suas fases?

Quando sentir saudade, olhe para o céu e lembre-se que é o mesmo que cobre a pessoa amada. Essa lembrança não lhe faz sentir o quão perto estão?

Quando a noite parecer tão longa e negra, assista ao nascer do sol e sinta o coração se acalmar.

Quando a alma radiar de alegria, e amor, e beleza, olhe para o céu e agradeça.
Olhe para esse manto que se estende sobre os apressados, amargurados e apaixonados.
Que se estende sobre os que sonham, os que acordam e os que se esquecem.
Que se estende por todos, criado por Ele para todos.

E quando o fim chegar, mais uma vez, levante os olhos.
Poderá ver o céu se abrindo e quem vem te encontrar?