Poesia

O que define você, Mulher?



O que define você, Mulher?
Será que é a forma de falar, o jeito de andar, de arrumar o cabelo, se gosta de se maquiar?
Será que é aquilo que gosta de fazer, onde prefere ir, com quem deseja estar?
Será que é aquela imagem perfeita que a propaganda tenta te vender, o que outros tentam te convencer?

O que define você, Mulher?
Será que é a roupa que veste (ou deixa de vestir), quantos pares de sapatos tem, se a marca da bolsa é legítima?
Será que são os carimbos no passaporte, as bonitas fotos no Instagram, o diploma pendurado na parede?
Será que é o nome do cabeleireiro, o restaurante que frequenta, o carro que dirige?

O que define você, Mulher?
Será que é a família pousada perfeitamente?
Os filhos comportados e arrumados?
Será que é ter alguém sempre ao seu lado?

Mas e se nada disso houver, deixará você de ser Mulher?

Mulher, olhe para o caminho que já percorreu, as lutas que combateu, os preconceitos que venceu.
Considere a sua força, garra, energia, disposição. As pessoas que amou, quantas vidas
impactou.
Lembre-se de todas as vezes que sorriu diante da vida, que sentiu a calma, que teve a
esperança renovada.
Reconheça os erros, orgulhe-se dos aprendizados.
Agradeça os tombos que levou, as dores que sentiu. Porque ainda está aqui. De pé. Pronta para a próxima e toda as outras diversidades que vierem.

Você pode ser casada, namorada, solteira, dona do lar, mulher de negócios, mãe, estudante, viajante… Pode ser quem quiser ser. Não permita, em nenhuma circunstância, que um modelo tente defini-la.

VOCÊ É QUEM VOCÊ É.
E É MAIS DO QUE PENSA SER.

Um único dia seria pouco para compreender a dignidade de seu papel. 

Então, a cada manhã, olhe-se bem no espelho e saia de casa sabendo do seu imensurável valor: o de ser quem você é. 

O de ser à semelhança do Deus Criador.
Poesia

As luzes

E a sua parte preferida da casa era o quintal. E tudo por causa das luzes. Ela mesmo tinha escolhido e comprado o cordel de luzes. Coloridas, claro. E também tinha sido ela que as pendurou, enfrentando todo o medo de altura e de que pudesse cair da escada improvisada.

Era à noite que seus olhos brilhavam, junto com as luzes. Olhando pra cima, ela dançava, ria alto, era feliz.

Até que com o tempo (e a vida) as lâmpadas, uma a uma, foram se apagando. Mas ela não se deu conta no início. Talvez, se tivesse percebido logo quando a primeira se apagou, as coisas teriam sido diferentes. Quem poderia saber?

Começou a notar que cada vez que engolia o choro, uma luz se apagava. Que quando abria o coração, mas ninguém entrava, outra luz faiscava e apagava. Que cada vez que dizia o que sentia, mas não era ouvida, outra luz que se escurecia. Que quando dizia que estava com saudade, mas não havia o encontro, mais uma. Cada vez que contava uma tristeza e não recebia um abraço, mais uma se apagava. Quando recebia uma acusação sem sentido, outra. Quando se explicava e ainda assim era incompreendida, mais uma. Quando ouvia palavras mal(ditas), outra. Quando acreditava e se enganava, mais uma. Quando deixava de acreditar, outra. Ah, se ela tivesse se lembrado de que manter essas luzes acesas dependiam unicamente dela.

Uma a uma, todas se apagando… até que não havia mais luz. Sem forças, nem as tirou pra guardar. Apenas entrou em casa, e fechou as portas.

Mas foi então que ouviu as batidas. Relutante, não abriu. Esperou que fosse embora, mas como sentia ainda aquela presença, acabou não resistindo. Ao abrir as portas, alguém a segurou pela mão e a levou para fora.

– Olhe para o céu e veja as minhas luzes. Todas essas estrelas foi eu mesmo quem fiz, elas são para enfeitar a sua noite. E continuarão brilhando, não importa o que aconteça. Por isso, por mais difícil e dolorido que tenha sido seu dia, lembre-se de olhar para o céu. E olhe para o seu coração. Dele deve continuar saindo luz para brilhar a vida de quem coloquei em seu caminho. Não o feche, mesmo quando achar ou parecer que amar não compensa. O amor sempre será a melhor escolha.

Sem deixar de olhar pra cima, ela dançou ainda melhor, riu ainda mais alto e foi verdadeiramente feliz. Ela entendeu que há luzes que não podem se apagar.

Poesia

As coisas que perdi

Já perdi tanta coisa
Que fico a pensar: será que existe um jeito de não se apegar?!
Já perdi gente tão querida,
Que quase penso: teria sido melhor a ninguém amar?!

Perdi a gatinha (que tanto amava),
a companhia (que tanto prezava),
a esperança (que tanto precisava).

Perdi a coragem (diante de uma oportunidade),
o sono (por muito me preocupar),
o sonho (por pouco tentar).

Perdi a chance de rir (diante da bobeira),
a calma (por causa de besteira),
o sorriso (pra dar lugar a choradeira).

Perdi a paciência, a confiança,
muitas lembranças, memórias,
a noção do tempo, a hora,
a chance de ficar calada, a boa palavra,
a consideração,
a boa intenção.

Perdi a saída,
o caminho,
a próxima parada,
o tempo, o presente,
o amigo, o contato,
o amor, o amado.

E de tanto perder, já nem sei mais se quero algo (ou alguém) encontrar.