Poesia

Alegrias Esquecidas

Tantas coisas que adorava fazer,
Mas há tanto tempo que não faz.

Às vezes,
Diz que é culpa do tal tempo que não para.
Outras vezes,
Diz que a culpa é sua por não saber parar o tempo.
 
Com o tempo,
Não sabe mais da emoção
Que era pular corda,
Brincar na chuva,
Ou pega ladrão.


Com o tempo,
Nem se lembra mais do prazer que sentia
Ao escrever versos cheios de amor,
Ver desenhos nas nuvens,
Ou compor uma melodia.


Com o tempo,
Também esqueceu-se do encanto
De contar estrelas,
De contar histórias,
De contar figurinhas.

Com o tempo,
Já não sabe mais como é bom o mistério
De andar sem rumo,
Esconder-se sem pressa de ser achado,
Ou sentar-se tranquilo à espera do encontro.

Quantas coisas que adorava fazer,
Mas há muito tempo não faz.
Alegrias que deixou para trás
Em busca de algo que é incapaz
De fazer seu coração aquecer…

*Post inspirado nesse outro texto meu.

Poesia

Aquela dor

Eu pensei que chorar pudesse aliviar a dor.
Mas o que fazer se não há ninguém por perto para me abraçar
e dizer que tudo ficará bem?
Ou, timidamente, tentar enxugar as lágrimas?


Eu pensei que falar pudesse minimizar a dor.
Mas o que fazer se não há ninguém por perto para me ouvir?
Ou para me dizer que mesmo que a dor não vá embora estará comigo
?

Eu pensei que rir pudesse afugentar a dor.
Mas o que fazer se não há ninguém por perto para me distrair
?
Para me contar outras histórias, aquelas com final feliz
?

Eu pensei que seguir em frente pudesse fazer com que a dor ficasse para trás.
Mas o que fazer se não há ninguém por perto para me acompanhar?    
Ou para me indicar um outro caminho?

Penso que só me resta enfrentá-la.
Não sozinha.
Mas com Aquele que me abraça, mesmo quando não consigo senti-l0.
Me ouve, mesmo quando não falo.
Enxuga cada lágrima, até aquelas que não caíram.
E que, com seu infinito amor, me dá esperança e razão de continuar. 

Sim, a enfrentarei com A
quele que conhece toda a minha dor
E é minha eterna companhia.

Poesia

As palavras que eu não disse

Prendi as palavras.
Apesar delas sempre terem sido minhas companhias,
Já não quero usá-las.
De certa forma, elas também não seriam suficientes.


Escolhi assim.
Enquanto não as digo,
Ninguém as ouve.
Elas se tornam só minhas.
Meus segredos.
Minhas angústias.
Meus amores.
Meus medos.
 

Também segurei as lágrimas.
É melhor assim.
Ah, pois se assim não fosse,
Elas transbordariam tais como um longo discurso,
E é bem possível
Que revelassem o que tanto tento esconder.
 

Talvez, nesse meu silêncio, eu até force um sorriso.
Quem sabe ele não sirva como um disfarce,
Mascarando o que há aqui dentro?
Ou quem sabe, tanto o silêncio quanto o sorriso,
Digam por si mesmo o que não consigo dizer…